Vou tentar retomar os comentários (pelo menos semanalmente) ao diário de bordo. Na verdade aqui no Canadá não há tanto para se contar sobre os choques culturais e os super passeios, além disso o trabalho aqui consome um pouco mais (o que é ótimo) e nas últimas semanas arrumando mudando e arrumando o apartamento. Resumo: Acho que agora sobra um tempinho :)
Nada de Canadá dessa vez, vou contar um pouco da viagem que fiz para o Chipre. O Chipre é uma ilha ao Sul da Turquia, próxima ao Líbano. Recentemente a mesma foi alvo da mídia, pois era ali que os refugiados do Líbano se esconderam durante os "probelminhas" com os vizinhos do Sul.
Voando Malev (Hungarian Airlines) com escala de 10 horas em Budapeste (9 horas de vôo), em

mais três horas chega-se ao Chipre. Sem reclamações da escala em Budapeste, pois a cidade é linda (como o blog sampaio.blogspot-cz já mostrou) porém considerando que a Europa tem milhares de cidades interessantes, porque minha escala de 10 horas teve que ser numa das poucas cidades Européias onde eu já estive? :)
Budapeste realmente vale a visita. Como estava com um companheiro de trabalho (James), fizemos os roteiros básicos da

cidade (Deja vu), mas como o tempo estava melhor do que da última vez, bônus. Consegui duas fotos boas, a primeira da réplica do Castelo da Transilvânia e a segunda do Castelo da Cidade ao entardecer.
Saindo de Budapeste, vôo de 3 horas e chegamos a Larnaca, uma cidade balenária ao sul da ilha onde está o aeroporto. Praticamente construído em um Galpão, o aeroporto é bastante pequeno (mesmo) e como em toda a Europa tem imigração simples. Poderia ser mais simples se o passaporte brasileiro não fosse tão paleozóico. Todos os passaportes que via até hoje (EUA, Canadá, Argentina, EU, Chile, Colombia) possuem um formato para leitura automatizada. O Brazuca, NÃO, o que sempre faz você demorar mais na fila, deixando o policial meio puto. Fora explicar que os 4 nomes que você tem é sinal de nobreza, nem anomalia; e que você tem dois passaportes pq o segundo tem o visto pros EUA o que não é transferível.... Enfim, sem reclamações, mas pq nosso passaporte ainda não evoluiu?
Saque no caixa eletrônico para ter algumas Libras Cipriotas (1 libra cipriota = 2.5 dolares, sendo a moeda com a maior contação do mundo) no bolso, taxi e vamos para Nicosia. O taxista dirigindo seu Mercedez década de 90 do lado esquerdo da rua chega a dar um certo no pânico no Início. Mão inglesa nada, se a nossa mão é direita, a deles está ERRADA... Se um dia eu precisar alugar um carro em um lugar desses, não sei o que acontecerá.
O trajeto até Nicosia custa CYP 25 (R$100) e leva 50 minutos por uma rodovia impecável. Nicosia é o nome que os Britânicos deram a cidade durante o período em que eles foram os "donos" da Ilha (pós-guerra até década de 60). O nome em grego é Lefkosia. Na verdade isso é "Greeklish" como se chama a língua grega escrita com o alfabeto ocidental. A sinalização no país é toda em Grego e Greeklish. Dá até saudades do cursinho, ver as placas que mais parecem fórmulas de física...
O Taxista um figura, falante, piadista e dirigindo no meio da rua, ignorando as faixas.
Chegamos no hotel 4h30 da manhã com reunião marcada para 8h30 na Cytanet (o cliente que estávamos visitando). Cytanet é o provedor de acesso que pertence a CYTA (Cyprus Telecommunications Authority), ou a Telco do governo, que praticamente domina o mercado, sendo a segunda maior empregadora do país na ilha (2500 funcionários).
Sem dormir quase nada, vamos pra reunião depois de um café mais no estilo Brasileiro do que Norte-americano. Queijo branco, frios, diversos pães, etc.
Parênteses aqui para a hospitalidade dos Cipriotas... Inacreditável. Como eles eram nossos clientes, esperava o comportamento padrão de pagar almoço aqui, jantar ali, etc. Esquece. Os caras haviam programado absolutamente tudo, de modo que comi nos melhores restaurantes da cidade no almoço e jantar, enquanto me reuniao com os diversos diretores. E como eles comem... padrão rodízio brasileiro, sem miséria, trazendo prato atrás de prato na mesa com tudo o que se possa imaginar. A comida lembra um pouco a libanesa com uma forte influência mediterrânea (pelos peixes e frutos do mar). Bom, se comparado ao "Hamburguer way of life".....

Na primeira noite fomos a um restaurante no centro antigo da

cidade, que está bastante abandonado e down, mas mesmo assim é seguro e eles garantem que a violência é praticamente nula na ilha. O restaurante é um dos mais tradicionais (tanto que o prefeito de Lefkosia estava jantando aí) da cidade, com uma decoração divertida, e tudo bem antigo. Na mesa estavam James (minha

frente), Nicol (que junto com o Christakis foram nossos Hostess) e Costas. Provamos um vinho típico da ilha sendo bastante bom. Sustentando minha teoria de que todo país no mundo acredita que produz bons vinhos bons, e ai de quem discordar. Enfim, aqui no Canadá você compra vinhos Ontário (com "n" entre o "o" e "t") orgulhosamente cultivados na região do Niagara, e na República Tcheca você encontra vinhos da Morávia. Discuta com eles, e os humores se alteram imediatamente. Ok, Canadá e Rep..Tcheca possuem ótimos vinhos, assim como Brasil, Paraguai e Suriname:)
O restaurante era no estilo "Meze" que significa um rodízio de diversas porções de comidas. Diversas e incontáveis, chegando ao ponto de não ter onde colocar pratos cheios na mesa, e não há o sinalzinho vermelho para virar na mesa. Bom pacas.
Calor!!!!! A noite a temperatura não desce abaixo dos 26 graus, mas por sorte a umidade é baixa. Mesmo assim, a maioria dos restaurantes típicos não tem o santo Ar condicionado... :(

Voltando para o Hotel, voltinha em torno dos quarteirões a pé,

onde há um calçadão e uma série de lojas e restaurantes. Algumas ruas dão em um muro com barricadas e arame farpado onde está a fronteira com os Turcos (história mais adiante). A cidade é de ruas muito estreitas, e prédios de 3 ou 4 andares. Esse ambiente deixa o calor mais forte. pois há pouco espaço para vento.
Todo mundo fala inglês, visto que a ilha foi colônia Britânica até a década de 60.
Todos os dias nas reuniões pela manhã, eles nos traziam o tal do Frapê que é uma bebida gelada a base de café típica. Parece um pouco esses cafés gelados, mas cremoso e bem bacana. A Cytanet tem copeira e cozinheira decidada para os funcionários. O horário de trabalho é bastante curioso. A maioria das pessoas chega entre 6h45 e 7h, não almoça e sai por volta das 14hs, devido ao calor. A tarde eles geralmente vão para algumas piscinas públicas (não, piscina pública não é o criadouro de rãs que estamos acostumados a ver no Brasil) e se refrescam ou vão para as praias... Um pouco de Europa em termos de qualidade de vida, apesar do país definitivamente não estar geograficamente na Europa, mas é considerado (como Rússia e Turquia): "Eurasiano".

Em 1974 a Turquia invadiu e ocupou 35% do território do Chipre, incluindo uma parte da capital Lefkosia. A ONU com toda sua

ineficiência está lá com suas centenas de capacetes azuis e carros para todos os lados, porém segundo os Cipriotas, sem muita efetividade. A história é complicada, e parece que não há uma explicação simples. As teorias variam do medo da Turquia perder a Ilha para os Gregos, numa eventual união entre os dois países; até uma operação onde os EUA barganharam com a Turquia bases aéras da OTAN nesse país em troca de apoio operacional para invadir o Chipre. O

resumo é que a ilha está dividida, com vários "Checkpoints", de passagem livre para qualquer um mediante passaporte, com soldados dos dois lados. A ONU mantém uma "buffer zone" separando os exércitos, tentando evitar incidentes, enquanto diversas tentativas de solucionar o problema são discutidas, mas nunca aceitas por ambos os lados. O Chipre é par

te da União Européia, e com certeza irá vetar (assim como a Grécia) para todo o sempre a entrada da Turquia, caso esse problema não se resolva. Os Cipriotas tentam escondar o rancor, mas em diversos locais se vê placas de ira contra os "Turks" que estão "ocupando indevidamente nossas terras", nas palavras deles. Dá uma certa tristeza em ver uma cidade dividida, um pouco abandonada, etc. Soldados de metralhadora, às vezes com pouco mais de 18 anos, cara de meninos, são imagens que ilustram bem o único resultado dessa divisão.
O lado ocupado está cada vez mais pobre (padrão Turquia) e o lado sol cada vez mais rico (padrão EU), o que levou a abertura da fronteira para turistas, como uma forma de levar algum dinheiro ao lado norte.
A Turquia estampou várias bandeiras (ver link abaixo, para se ter idéia do tamanho delas) nas montanhas do Norte da ilha, viradas para o lado sul, de modo que todos vejam as mesmas. A noite as bandeiras são iluminadas, para que "Não nos esqueçamos que temos companhia", como dizem os locais.

mente se bem gelada debaixo do calor que faz lá. Nesse restaurante no segundo dia, mais Meze....

A cidade tem uma região bem badalada, com cafés, pubs e discos. Próximo ao hotel onde estávamos (Holiday Inn). As cafeterias são sempre os lugares mais cheios, incluindo uma chamada Café Costa (cadeia Italiana), ba

stante bonita.

Tentei uma foto da bandeira do lado ocupado a noite, mas não fui muito feliz. Essa foi da janela do Hotel, e dá pra ter uma idéia da encrenca.

No resturante com Marios, James, eu, Christakis e sua espôsa (Marias).

Essa loja me chamou a atenção no centro antigo. Mesma fonte, mesma cor, só o "S" ao invéz do "Z"... Sara, nome típico do oriente médio.