Tuesday, November 21, 2006

Remembrance day & Christmas Parade 2006 - Várias "paradas"

As celebrações do Natal em no Canadá começam após o Remembrance Day, o dia no qual se homenageia os mortos em guerras nas quais o Canadá participou. Apesar da pequena população, o Canadá participou ativamente de três guerras no século XX 1a Guerra, 2a Guerra e (não, não é a 3a guerra) Guerra do Coréia. O Canadá percentualmente foi o país que mais enviou pessoas ao cambo de batalha na primeira guerra mundial (pelos aliados , é claro) e teve participações significativas na 2a guerra. Uma vez que até 1967 o Canadá possuía um status ainda menos independente do Reino Unido do que possui hoje (ainda estou tentando entender qual o status "de facto" desse país), a entrada da Inglaterra em guerra significava a entrada automática do Canadá.

Os mais ácidos poderiam dizer que o mesmo motivo os levaram a guerra da Coréia, porém "incentivados" pela "segunda metrópole"... Recentemente o remembrance day também tem servido para relembrar os mortos na guerra do Afeganistão.

O dia é equivalente ao "Memorial Day" Yankee, com a diferença que aqui não é feriado, e que lá as crianças fazem fila para entrar nos porta aviões e chegar perto de F-18 escoltados por amigáveis Mariners. Nas semanas que antecedem esse domingo, as pessoas utilizam uma flor (poppy) afixada a roupa, como se fosse um broche e evita-se comemorações excessivas em respeito aos mortos. Às 11hs da manhã se realiza um minuto de silêncio orquestrado pelo primeiro ministro em frente ao National War Memorial em Ottawa (em breve post sobre Ottawa).

A tradição de usar as "poppies" surgiu na frança após as guerras napoleônicas, onde se observou o crescimento dessas flores próximos aos túmulos de soldados.

Em Guelph a parada do Remembrance Day começa em frente ao Memorial da cidade, que fica exatamente em frente ao prédio onde moramos. Recentemente o memorial sofreu um upgrade e agora contem tres placas com o nome dos "Guelphians"mortos nas guerras. Fotos e imagens gravadas da janela do nosso apartamento no 11o andar.


Passado o Remembrance Day, the shopping season begins :)
Parada de natal no último fim de semana, sob agradáveis -2 graus, com vento e umidade. Nada de especial na parada, mas valem algumas observações como o uso de caminhões gigantescos para transportar as criancinhas fantasiadas e as pequeninas F-350 enfeitadas (e SUVs). Pensando bem, um pouco de aquecimento global seria uma boa para o Papai Noel. Falando, nele nada de Papai Noel no evento, o que virou até notícia no jornal da cidade no dia (Guelph Mercury) seguinte em tom de indignação: Reclamam que a parada foi muito comercial, e não reflete o espírito de natal...

Diverido ver um cidadão de pá e vassoura na mão coletando o "servicinho" realizado pelos cavalos durante a parada. Todo mundo vem na parada, até 6 carteiros com seus trajes (que aqui são um pouco mais discretos que o uniforme de Vôlei usado no Brasil).







BTW - Um dos primeiros dias de neve em Guelph vistos da nossa janela.

Saturday, November 18, 2006

Things to come

Próximos posts (estou tentando me estruturar e retomar esse blog, mas antes de entrar no modo dia-a-dia, quero abordar):

Ponto de vista:
- Suburban way of life: Town Houses, SUV, Wal Mart
- Workplace: Summer x Winters; Do x Don'ts
- A relação com os vizinhos do Sul
- Alguns primeiros insignts sobre a identidade Canadense

Cidades:
- Ottawa
- Cambridge, Stratford & London
- Toronto

Experiências:
- ISPCON Santa Clara
- Andicom Cartagena
- Apêndicite & Guelph General Hospital

A saga do automóvel

Esse blog não está seguindo uma linha cronológica, mas enfim, segue o aprendizado que talvez seja útil para alguém em como conseguir comprar seu primeiro "poizé" na terra dos Esquimós.


Primeiro, a regra aqui é ligeiramente diferente:


- Primeiro se consegue uma carteira de motorista

- Depois se busca um carro e obtem-se os dados do mesmo

- Entra-se em contato com a seguradora (seguro aqui é obrigatório)

- Com o seguro acertado se adquire as "license plates" ou as placas

- Com as placas se compra o carro


Começamos com a carteira de motorista:

Para quem se lembra, eu perdi o direito de dirigir na terra brasilis em 2005 devido a uma única multa por excesso de velocidade em Santos. O limite era 40, e eu passei a 52, portanto acima de 20%, e como o código de trânsito tupiniquim segue o padrão governamental brasileiro de premiar ao cidadão que vos escreve, recebi a notificação de que deveria entregar minha carteira de motorista, ficar 3 meses sem dirigir, realizar um curso em um centro de capacitação para retomar o direito de dirigir. Não fiz....


Dirigi sem carteira de motorista no Brasil entre setembro e dezembro, mas felizmente minha cara de vô e meu carro de bisavô não chamaram a atenção de nenhum PM.

BTW - Na Europa quando alugava carro, utilizava o RG como carteira de motorista, visto que os Tchecos estaval literalmente cag... para o que estava escrito no meu documento.


Voltando ao Canadá, aprendi que o Canadá tem um "Grade System" para direção, que significa:

- No primeiro ano de carta você recebe um documento G1 simplesmente realizando um teste escrito que so permite voce dirigir acompanhado por alguém que possua uma carteira G;

- No segundo ano de carta você recebe um documento G2 após ser aprovado em um teste de direção que não inclui dirigir em Highways. Essa permite quase tudo, com algumas restrições para "jovens";

- No terceiro ano você recebe sua carteira G após um exame incluindo auto-estradas.


E como o Canadá está acostumado a receber imigrantes, eles facilitam a vida. Obviamente eles facilitam MUITO a vida de quem imigra de lugares considerados civilizados, como Europa Ocidental, EUA, Austrália, etc. Cidadãos desses países simplesmente trocam sua carteira por uma "G" em poucos minutos. Agora o underdog aqui vai pro fim da fila e a opção é traduzir sua carteira de motorista para Inglês em um local especializado e "pular o estágio G1", mas isso não o isenta das provas teórias e prática para cada estágio. Pagos os 40 dólares para traduzir o documento, lá vamos nós para o exame escrito. Compra o livrinho, leitura, leitura, leitura... odeio qualquer tipo de exame. Passei :)


Feito o exame teórico você recebe sua carteira temporária G1 no mesmo momento, enquanto o documento definitivo é processado e enviado pelo correio. Então, me registrei para o exame prático (1 mês de espera), tomei algumas aulas para acostumar com o que os instroures exigem, como por exemplo ser obrigado a olhar sobre o ombro após dar seta e antes de começar a virar o volante. Segundo o manual: O ponto cego pode matar... Sinceramente, acho que o ponto cego mata mesmo, se você estiver olhando sobre seu ombro e alguém bater em você, é fratura no pescoço.


Tomadas as aulas com um educado (85 dolares por duas aulas e o aluguel do carro para usar no exame) gentil senhor hindú (quase mandei o cidadão se f... umas três vezes), passei no exame prático e finalmente me tornei um motorista reconhecido pelas autoridades Ontarianas :)


PS: A foto está com aparência marginalesca, por duas razões: 1) Nasci na Vila Maria; 2) Nesse dia fui andando (uns 4km) até o Driver's test centre sob um sol de 32 graus.



Duas semanas antes do exame, eu já havia iniciado a busca pelo carro, e já estava com o bom e velho Corolla em vista, afinal de contas sou um cara bastante criativo. Depois de um certo suador para conseguir aprovar financiamento (meu status aqui ainda não é de imigrante definitivo e não tenho histórico bancário, etc), finalmente aprovaram meu crédito, porém com as taxas de juros mais altas do mercado: 6% ao ano.


Com a carteira em mãos, seguro feito (que paulada, 3600 dolares por ano, já que é meu primeiro ano de direção por aqui), a Toyota consegue as placas para você, e lá estava eu feliz e contente com meu Corolla Cinza com direito até a pára-barro (ou neve).


Ainda não entendo a necessidade dos cidadãos aqui em dirigir seus V6, V8, V12, SUV, Trucks, etc, mas isso é tópico para um post dedicado.


Sem carro aqui não existe vida. As cidades foram criadas de modo a praticamente obrigar o deslocamento diário para qualquer pequena atividade e o transporte público é muito caro. O ônibus em Guelph custa 2 dólares e passa a cada 30 minutos somente (apesar de pontual). Curioso morar em uma cidade que tem 18 linhas de ônibus, e os ônibus não são numerados como em SP com códigos do tamanho de um CPF :)


Dica: Para reduzir o seguro do automóvel em até 30% no primeiro ano, é necessário realizar um treinamento de 20 horas teórico e algumas aulas práticas em um centro autorizado (auto escola like). A brincadeira custa 600 dólares, mas esconomiza por volta de 1000 no primeiro ano em seguro e mais ou menos o mesmo tanto no segundo ano.


A Gasolina é barata por aqui, porém o preço varia diariamente, não seguindo diretamente a flutuação do preço do barril do petróleo. Desde que cheguei, a gasolina chegou ao mínimo de 0.65 dolares por litro (R$ 1.3) até 1.1 dólares (R$ 2.2), e agora está por volta de 0.85 dólares. Detalhes importantes:

-> Todos os postos oferecem três octanagens diferentes de combustível, e se você não possui um carro onde o manual explicitamente o indica, utilize a octanagem mais baixa, que além de ser a mais barata, não danificará seu motor

-> O preço varia bastante de posto para posto, especialmente quando se compara postos "We serve" no modelo frentista. Geralmente é mais barato sair do carro, colocar o cartãozinho de débito na máquina, e fazer o servicinho.

-> Não existe "gasolina batizada" - ou se existe os Canadenses ainda não sabem, porque quando eu perguntei isso para eles, demorou até mesmo para eles entenderem porque alguém "abençoaria" a danada.


Considerando que moro a 3 Km do trabalho, estou gastando MUITO menos com combustível do que em SP. Tudo bem que de fim-de-semana se dirige mais, pois como tudo é longe, e a cidade aqui não é lá das mais movimentadas, acabamos indo buscar algo em Toronto ou mesmo nas outras cidades da região como Waterloo, Cambridge, Kitchener, etc. BTW - Ainda estamos um pouco no modo turista.

Monday, September 18, 2006

Chipre (parte 2)




A noite fomos ao terraço do Hotel (Holiday Inn) e havia uma banda latina (acho que do Equador) tocando aquele mix de salsa, merengue, cha-cha-cha que a gringada adora. Lugar bacana, cheio de pessoas locais bem arrumadas, e estrangeiros desleixados.

Dia 3 fomos num tour pela ilha para alguns lugares conhecidos, sem muita esperança de ver muita coisa em um único dia, mas enfim... Para não toma tempo demais, descemos de Lefkosia (meio da ilha) em direção sudoeste, passando por uma cadeia de montanhas no meio da ilha (região de Troodos), até uma cidade no extremo sudoeste chamada Pafos. Voltamos para Lefkosia através de Limasol (Lemesos).

A cadeia de montanhas onde está Troodos é impressionante, pois ela está exatamente sobre o deserto plano, como uma parede de mais de 3.000 metros de altura. A vegetação muda derepente devido a temperatura mais alta nas montanhas.
Em algumas regiões dessas montanhas existe neve durante todo o inverno. Na mesma cadeia existe uma das bases militares que os Britânicos possuem na ilha (uma das condições da doce rainha antes de conceder a independência aos Cipriotas).

A base da montanha está exatamente sobre a linha que divide a área ocupada. Uma pena que não consegui uma foto boa, mas passaram dois comboios de carros da ONU cheios de "blue helmets". Algumas placas interessantes sobre a linha divisória: "Por favor, não cruzem essa cerca por razões de segurança. Não podemos esquecer que os Turcos estão ocupando nossas terras". Só consegui uma foto do caminhão com a placa UN.

No ponto mais alto da montanha está o sepultado o primeiro presidente (Arcebispo Makarios) do Chipre, que também era o líder religioso no país (provavelmente uma das razões que incomodou a Turquia). Ele desejava ser enterrado naquele ponto, e o povo atendeu sem maiores problemas, uma vez que parece existit um profundo respeito pelo mesmo. O lugar é bastante friozinho se comparado aos 30 e tantos graus constantes do nível do mar. O mesmo foi deposto por um golpe militar pouco antes da invasão. A junta militar que o depôs era pró unificação com a Grécia... Mais motivos para os Turcos invadirem. Detalhe para o soldado e sua singela metralhadora.

Próximo a esse ponto está o Mosteiro Kykkos, que é o mais famoso do Chipre, onde as autoridades da igreja ortodoxa no país se reúnem. Diferente pelas pinturas de origem Bisantina (arcos dourados em torno das imagens), e pelo culto. Chegamos durante um culto, que lembra um pouco os cantos beneditinos.
Essas portas pequenas são quartos de retiro. Você pode reservar (independente do que essa palavra signifique aqui) um desses quartos para se retirar ali. Não se pode entrar sem calças no mosteiro, mas eles tem um saco com calças "meia boca" para você colocar e entrar :)

Uma tradição do lugar é fazer um pedido nos locais sagrados e amarrar uma "fitinha" na árvore próxima a imagem. Vários lugares estão "bombados" de fitinha, no melhor estilo Senhor do Bonfim. Uma feirinha próxima vende as coisas típicas, como frutas caramelizadas, e algumas coisas exóticas demais para meu gosto :)

A altitude muda radicamento a paisagem.
Descendo "do outro lado" (sul) da ilha, se chega a Lemesos, uma cidade relativamente grande.


O Castelo de Lemesos é bastante interessante, apesar de não existir qualquer explicação no local sobre o mesmo. A construção originalmente do século XI, como tudo na região foi semi ou completamente destruída dezenas de vezes, e aparentemente esse teve sua forma mantida em todas as restaurações. Todo em pedra, com paredes de mais de 1 metro de espessura, o mesmo assusta. Não há nada dentro do castelo e a única pintura existente dentro do mesmo está bastante danificada pelos criativos seres humanos com desenhos sobre a pedra.

Ao lado do mesmo está uma igreja equivalente as Rotundas da Europa continental, provavelmente do século XI ou XII. Não há como chegar até a mesma.
Almoçamos em um restaurante típico na cidade balneária de Pafos onde um castelo do mesmo estilo de Lemesos está no estremo de uma península. Nada dentro do castelo, mas vale pelo visual do Mediterrâneo. A arquitetura de pedra arenosa é bem curiosa, em vários cantos se visualiza algumas ruínas e escavações arqueológicas, algumas vezes literamente "no meio da rua".
Como de costume almoçamos "meze", padrão dinossauro. Agora o menu era peixes, e o cidadão ficou trazendo diversos tipos de peixes por mais de 1/2 hora. O Petros que era nosso guia, comeu praticamente sem parar, incluindo minha parte e a do James. Fora que o cidadão resolveu brincar com uma das garçonete que não dando muita bola despertou a fúria Cipriota no mesmo. Papelão... :)
Saindo de lá voltamos diretamente ao Hotel, mesmo porque depois de praticamente 1 semana sem dormir direito e com um vôo saindo de volta às 2hs da manhã, não havia muito o que fazer.
Táxi de volta para o aeroporto e depois de solucionar o problema do James que conseguiu perder a passagem, voamos de volta a Budapeste. Mais 9 horas na terra dos Magiares, voltas pela cidade (ver fotos do tour de maio/2006 em http://sampaio-cz.blogspot.com), pega metrô e ônibus de volta para o aeroporto, e finally back to the cold Canada. Detalhe: como canadense gosta de grama, o James estava sentido algo como "grass sick", e não coneguia conter a alegria em ver todo o "pasto" no caminho de volta :)

Saturday, September 16, 2006

Cyprus ou Chipre (1)

Vou tentar retomar os comentários (pelo menos semanalmente) ao diário de bordo. Na verdade aqui no Canadá não há tanto para se contar sobre os choques culturais e os super passeios, além disso o trabalho aqui consome um pouco mais (o que é ótimo) e nas últimas semanas arrumando mudando e arrumando o apartamento. Resumo: Acho que agora sobra um tempinho :)

Nada de Canadá dessa vez, vou contar um pouco da viagem que fiz para o Chipre. O Chipre é uma ilha ao Sul da Turquia, próxima ao Líbano. Recentemente a mesma foi alvo da mídia, pois era ali que os refugiados do Líbano se esconderam durante os "probelminhas" com os vizinhos do Sul.

Voando Malev (Hungarian Airlines) com escala de 10 horas em Budapeste (9 horas de vôo), em mais três horas chega-se ao Chipre. Sem reclamações da escala em Budapeste, pois a cidade é linda (como o blog sampaio.blogspot-cz já mostrou) porém considerando que a Europa tem milhares de cidades interessantes, porque minha escala de 10 horas teve que ser numa das poucas cidades Européias onde eu já estive? :)

Budapeste realmente vale a visita. Como estava com um companheiro de trabalho (James), fizemos os roteiros básicos da cidade (Deja vu), mas como o tempo estava melhor do que da última vez, bônus. Consegui duas fotos boas, a primeira da réplica do Castelo da Transilvânia e a segunda do Castelo da Cidade ao entardecer.

Saindo de Budapeste, vôo de 3 horas e chegamos a Larnaca, uma cidade balenária ao sul da ilha onde está o aeroporto. Praticamente construído em um Galpão, o aeroporto é bastante pequeno (mesmo) e como em toda a Europa tem imigração simples. Poderia ser mais simples se o passaporte brasileiro não fosse tão paleozóico. Todos os passaportes que via até hoje (EUA, Canadá, Argentina, EU, Chile, Colombia) possuem um formato para leitura automatizada. O Brazuca, NÃO, o que sempre faz você demorar mais na fila, deixando o policial meio puto. Fora explicar que os 4 nomes que você tem é sinal de nobreza, nem anomalia; e que você tem dois passaportes pq o segundo tem o visto pros EUA o que não é transferível.... Enfim, sem reclamações, mas pq nosso passaporte ainda não evoluiu?

Saque no caixa eletrônico para ter algumas Libras Cipriotas (1 libra cipriota = 2.5 dolares, sendo a moeda com a maior contação do mundo) no bolso, taxi e vamos para Nicosia. O taxista dirigindo seu Mercedez década de 90 do lado esquerdo da rua chega a dar um certo no pânico no Início. Mão inglesa nada, se a nossa mão é direita, a deles está ERRADA... Se um dia eu precisar alugar um carro em um lugar desses, não sei o que acontecerá.

O trajeto até Nicosia custa CYP 25 (R$100) e leva 50 minutos por uma rodovia impecável. Nicosia é o nome que os Britânicos deram a cidade durante o período em que eles foram os "donos" da Ilha (pós-guerra até década de 60). O nome em grego é Lefkosia. Na verdade isso é "Greeklish" como se chama a língua grega escrita com o alfabeto ocidental. A sinalização no país é toda em Grego e Greeklish. Dá até saudades do cursinho, ver as placas que mais parecem fórmulas de física...

O Taxista um figura, falante, piadista e dirigindo no meio da rua, ignorando as faixas.

Chegamos no hotel 4h30 da manhã com reunião marcada para 8h30 na Cytanet (o cliente que estávamos visitando). Cytanet é o provedor de acesso que pertence a CYTA (Cyprus Telecommunications Authority), ou a Telco do governo, que praticamente domina o mercado, sendo a segunda maior empregadora do país na ilha (2500 funcionários).

Sem dormir quase nada, vamos pra reunião depois de um café mais no estilo Brasileiro do que Norte-americano. Queijo branco, frios, diversos pães, etc.

Parênteses aqui para a hospitalidade dos Cipriotas... Inacreditável. Como eles eram nossos clientes, esperava o comportamento padrão de pagar almoço aqui, jantar ali, etc. Esquece. Os caras haviam programado absolutamente tudo, de modo que comi nos melhores restaurantes da cidade no almoço e jantar, enquanto me reuniao com os diversos diretores. E como eles comem... padrão rodízio brasileiro, sem miséria, trazendo prato atrás de prato na mesa com tudo o que se possa imaginar. A comida lembra um pouco a libanesa com uma forte influência mediterrânea (pelos peixes e frutos do mar). Bom, se comparado ao "Hamburguer way of life".....

Na primeira noite fomos a um restaurante no centro antigo da cidade, que está bastante abandonado e down, mas mesmo assim é seguro e eles garantem que a violência é praticamente nula na ilha. O restaurante é um dos mais tradicionais (tanto que o prefeito de Lefkosia estava jantando aí) da cidade, com uma decoração divertida, e tudo bem antigo. Na mesa estavam James (minha frente), Nicol (que junto com o Christakis foram nossos Hostess) e Costas. Provamos um vinho típico da ilha sendo bastante bom. Sustentando minha teoria de que todo país no mundo acredita que produz bons vinhos bons, e ai de quem discordar. Enfim, aqui no Canadá você compra vinhos Ontário (com "n" entre o "o" e "t") orgulhosamente cultivados na região do Niagara, e na República Tcheca você encontra vinhos da Morávia. Discuta com eles, e os humores se alteram imediatamente. Ok, Canadá e Rep..Tcheca possuem ótimos vinhos, assim como Brasil, Paraguai e Suriname:)

O restaurante era no estilo "Meze" que significa um rodízio de diversas porções de comidas. Diversas e incontáveis, chegando ao ponto de não ter onde colocar pratos cheios na mesa, e não há o sinalzinho vermelho para virar na mesa. Bom pacas.

Calor!!!!! A noite a temperatura não desce abaixo dos 26 graus, mas por sorte a umidade é baixa. Mesmo assim, a maioria dos restaurantes típicos não tem o santo Ar condicionado... :(

Voltando para o Hotel, voltinha em torno dos quarteirões a pé, onde há um calçadão e uma série de lojas e restaurantes. Algumas ruas dão em um muro com barricadas e arame farpado onde está a fronteira com os Turcos (história mais adiante). A cidade é de ruas muito estreitas, e prédios de 3 ou 4 andares. Esse ambiente deixa o calor mais forte. pois há pouco espaço para vento.

Todo mundo fala inglês, visto que a ilha foi colônia Britânica até a década de 60.

Todos os dias nas reuniões pela manhã, eles nos traziam o tal do Frapê que é uma bebida gelada a base de café típica. Parece um pouco esses cafés gelados, mas cremoso e bem bacana. A Cytanet tem copeira e cozinheira decidada para os funcionários. O horário de trabalho é bastante curioso. A maioria das pessoas chega entre 6h45 e 7h, não almoça e sai por volta das 14hs, devido ao calor. A tarde eles geralmente vão para algumas piscinas públicas (não, piscina pública não é o criadouro de rãs que estamos acostumados a ver no Brasil) e se refrescam ou vão para as praias... Um pouco de Europa em termos de qualidade de vida, apesar do país definitivamente não estar geograficamente na Europa, mas é considerado (como Rússia e Turquia): "Eurasiano".

Em 1974 a Turquia invadiu e ocupou 35% do território do Chipre, incluindo uma parte da capital Lefkosia. A ONU com toda sua ineficiência está lá com suas centenas de capacetes azuis e carros para todos os lados, porém segundo os Cipriotas, sem muita efetividade. A história é complicada, e parece que não há uma explicação simples. As teorias variam do medo da Turquia perder a Ilha para os Gregos, numa eventual união entre os dois países; até uma operação onde os EUA barganharam com a Turquia bases aéras da OTAN nesse país em troca de apoio operacional para invadir o Chipre. O resumo é que a ilha está dividida, com vários "Checkpoints", de passagem livre para qualquer um mediante passaporte, com soldados dos dois lados. A ONU mantém uma "buffer zone" separando os exércitos, tentando evitar incidentes, enquanto diversas tentativas de solucionar o problema são discutidas, mas nunca aceitas por ambos os lados. O Chipre é parte da União Européia, e com certeza irá vetar (assim como a Grécia) para todo o sempre a entrada da Turquia, caso esse problema não se resolva. Os Cipriotas tentam escondar o rancor, mas em diversos locais se vê placas de ira contra os "Turks" que estão "ocupando indevidamente nossas terras", nas palavras deles. Dá uma certa tristeza em ver uma cidade dividida, um pouco abandonada, etc. Soldados de metralhadora, às vezes com pouco mais de 18 anos, cara de meninos, são imagens que ilustram bem o único resultado dessa divisão.

O lado ocupado está cada vez mais pobre (padrão Turquia) e o lado sol cada vez mais rico (padrão EU), o que levou a abertura da fronteira para turistas, como uma forma de levar algum dinheiro ao lado norte.

A Turquia estampou várias bandeiras (ver link abaixo, para se ter idéia do tamanho delas) nas montanhas do Norte da ilha, viradas para o lado sul, de modo que todos vejam as mesmas. A noite as bandeiras são iluminadas, para que "Não nos esqueçamos que temos companhia", como dizem os locais.

mente se bem gelada debaixo do calor que faz lá. Nesse restaurante no segundo dia, mais Meze....


A cidade tem uma região bem badalada, com cafés, pubs e discos. Próximo ao hotel onde estávamos (Holiday Inn). As cafeterias são sempre os lugares mais cheios, incluindo uma chamada Café Costa (cadeia Italiana), bastante bonita.




Tentei uma foto da bandeira do lado ocupado a noite, mas não fui muito feliz. Essa foi da janela do Hotel, e dá pra ter uma idéia da encrenca.



No resturante com Marios, James, eu, Christakis e sua espôsa (Marias).



Essa loja me chamou a atenção no centro antigo. Mesma fonte, mesma cor, só o "S" ao invéz do "Z"... Sara, nome típico do oriente médio.

Saturday, July 08, 2006

Guelph

Vamos falar de Guelph :)

Nada de castelos medievais, pontes milenares e museus ancestrais, benvindos ao Canadá, onde talvez a coisa mais antiga deve ter sido inaugurada com transmissão via satélite para todo o país.

A cidade localizada a sudoeste de Toronto, a cerca de 75Km pela Highway 401, possui cerca de 100.000 habitantes e conta com algumas empresas grandes, como a Canada Tobacco e ABB. Além disso, uma cervejaria (XXXXX), uma boa área cultivada e a Universidade parecem ser as fontes de recursos a pequena cidade.
Situada na chamada região de Waterloo, que é composta por: Kitchener e Waterloo (conurbadas); Cambridge e Guelph. A região se destaca pela concentração de pequenas/médias/grandes empresas de Tecnologia de ponta, que naturalmente se instalam aqui devido a qualidade da Universidade de Waterloo. Essa, é uma das melhores escolas da América do Norte em TI, e diz a lenda, é de onde a Microsoft tira boa parte de seus cérebros. Será isso bom sinal?
Para se chegar a pequena Guelph, não há acesso direto pela 401, portanto precisa-se pegar a #6, que não é bem uma highway pois as principais avenidas de Guelph as cortam com semáforos. Essa é uma das reclamações dos locais, pois segundo eles é isso um absurdo........ Guelph é a menor das três cidades, e o fato de estar um pouco mais isolada das demais três cidades da região, a faz um retiro mais tranquilo. Talvez com o retorno das férias no início de setembro, a cidade se torne mais movimentada, pois durante as férias de verão (Junho a Agosto), o marasmo impera.
Por falar em verão, alguém que venha ao Canadá no verão, jamais saberão que aqui é frio. Desde que chegamos em Junho, a temperatura mais baixa deve ter sido por volta de 15 graus, em uma noite. A maioria dos dias fica por volta de 30, com picos de 36 durante a tarde. Além disso, os dias longos (somente as 22hs o sol realmente desaparece) fazem o calor imperar. Que saudades de pisar no gelo... Sinceramente não nasci pra calor, talvez daqui a uns anos eu tente imigrar para a Groenlândia :)
A casa que alugamos é de uma professora da Universidade que está de férias em Newfoundland (a província que fica no extremo leste do país, sob o Atlântico), e volta ao fim de agosto. A professora se chama Donna (na verdade MaDonna), e como o nome diz, adora a Itália. E até arrisca um pouco da cultura Européia, o que eu precebi quando começamos a usar as coisas da cozinha....tudo imundo.
A casa é ótima, e foi um grande achado para quem chegou só com as roupas. O preço é razoável, e assim temos tempo para procurar um cafofo com calma. A casa fica na Edinburgh South, a uma quadra do Speed River, com um parque bem legal às suas margens. A Edinburgh é uma "Road", o que significa que é mais movimentada que uma "Street", mas em uma cidade como essa, mais movimentada não significa muito para quem veio de onde vim. A única reclamação da casa é a cama, que tem um colchão padrão "Apê da Praia Grande".
O calor "enche o saco", especialmente porque ainda não temos carro aqui, então qualquer caminhada é penosa. Estamos próximos do centro, por volta de 10 a 15 minutos caminhando sem pressa. Em 15 minutos se chega ao principal (e único) shopping da Cidade (Mall), que se chama Stone Road Mall. O Shopping é bacana, e bem completo pelo tamanho da cidade. Destaque para a Chapters, que é a principal rede de livrarias do Canadá, que conta com uma filial no mall. Essa livraria é o equivalente a Barnes & Noble americana, no mesmo estilo, e com uma área de descontos, incrível. Arremata-se por 5 a 8 dólares canadenses livros que normalmente custam 40. Estou lendo a sequência do Empire, que se chama Multitude do Negri.... 6 dólares, já com impostos :)
Ainda se encontra uma Sears, para os mais jovens que não se lembram dela em SP (onde está o Shopping Paulista e no Center Norte, alguém se lembra de outra?), que é legal pois se encontra um pouco de tudo, por um preço razoável. O razoável definitivamente não quer dizer barato, pois aqui (como nos EUA), quando se diz que uma loja está em liquidação, acredite pois os descontos são incríveis. Após o Canada Day (1 de Julho), a maioria das lojas entra em liquidação, e se consegue comprar coisas com 70% de desconto em lojas bacanas.
A cidade tem uns 4 supermercados grandes, e uma quantidade razoável de restaurantes, fast-foods, cafés (Tim Horton's), etc. Em termos de boas lojas de eletro-eletrônicos, a cidade deixa a desejar. As lojas mais próximas ficam em Cambridge. Consegui até comprar o notebook que estava buscando a 6 meses... Uma das vantagens do GMT negativo está sendo o idioma....
Bom, superficilmente é isso...

Sunday, July 02, 2006

Canada Day

Hoje (1o Julho) foi o Dia do Canadá, onde eles comemoram a independência do país do Status de colônia Britânica. Na verdade, eles continuaram a ser algo como um "protetorado" até o século XX, quando eles trocam a bandeira e deixa apenas a formalidade relativa a rainha da Inglaterra como chefe de estado. Todos os canais de TV exibiram pronunciamentos do Primeiro Ministro e da Governadora Geral, sendo essa última apontada pelo detentor do trono Britânico (hoje somente uma formalidade).
Fomos a um Park muito bonito em Guelph, chamado "Exibition Park" onde havia milhares de pessoas sentadas, comendo barbecue (salsicha e hamburguer), bebendo café e esperando a queima de fogos. 20 minutos de fogos no céu, e todos ficaram pasmos, até mesmo o nosso amigo Alemão (Martin) se impressionou. Bonito, mas acho que a queima de fim-de-ano de Toque-Toque pequeno deve ser maior :)
Para entrar no parque, pagava-se 2 dolares por pessoa, sendo que o dinheiro será doado para a cruz vermelha canadense

Muito se há de aprender com esse lugar sobre o significado de uma palavra muito utilizada... Diversidade. A Governadora (detalhe para governadorA) Geral é negra e possui um sotaque forte... Tolerância, Multi-culturalismo, pressão dos vizinhos do Sul, ameaças terroristas internas, um princípio de marginalização de imigrantes..... Escreverei muito sobre isso :)

Não tive um bom Canada Day, devido a vitória da França (ou Seria do Zidane que até chapéu deu no Ronaldo) sobre os 11 cones amarelos em Frankfurt. Da última vez (em 1998) fiquei bem chateado, mas dessa vez levei numa boa; afinal de contas: Não se pode ganhar sempre e está na hora do timinho do Spa se renovar... Chega de velhinhos e gordinhos....