Tuesday, November 21, 2006

Remembrance day & Christmas Parade 2006 - Várias "paradas"

As celebrações do Natal em no Canadá começam após o Remembrance Day, o dia no qual se homenageia os mortos em guerras nas quais o Canadá participou. Apesar da pequena população, o Canadá participou ativamente de três guerras no século XX 1a Guerra, 2a Guerra e (não, não é a 3a guerra) Guerra do Coréia. O Canadá percentualmente foi o país que mais enviou pessoas ao cambo de batalha na primeira guerra mundial (pelos aliados , é claro) e teve participações significativas na 2a guerra. Uma vez que até 1967 o Canadá possuía um status ainda menos independente do Reino Unido do que possui hoje (ainda estou tentando entender qual o status "de facto" desse país), a entrada da Inglaterra em guerra significava a entrada automática do Canadá.

Os mais ácidos poderiam dizer que o mesmo motivo os levaram a guerra da Coréia, porém "incentivados" pela "segunda metrópole"... Recentemente o remembrance day também tem servido para relembrar os mortos na guerra do Afeganistão.

O dia é equivalente ao "Memorial Day" Yankee, com a diferença que aqui não é feriado, e que lá as crianças fazem fila para entrar nos porta aviões e chegar perto de F-18 escoltados por amigáveis Mariners. Nas semanas que antecedem esse domingo, as pessoas utilizam uma flor (poppy) afixada a roupa, como se fosse um broche e evita-se comemorações excessivas em respeito aos mortos. Às 11hs da manhã se realiza um minuto de silêncio orquestrado pelo primeiro ministro em frente ao National War Memorial em Ottawa (em breve post sobre Ottawa).

A tradição de usar as "poppies" surgiu na frança após as guerras napoleônicas, onde se observou o crescimento dessas flores próximos aos túmulos de soldados.

Em Guelph a parada do Remembrance Day começa em frente ao Memorial da cidade, que fica exatamente em frente ao prédio onde moramos. Recentemente o memorial sofreu um upgrade e agora contem tres placas com o nome dos "Guelphians"mortos nas guerras. Fotos e imagens gravadas da janela do nosso apartamento no 11o andar.


Passado o Remembrance Day, the shopping season begins :)
Parada de natal no último fim de semana, sob agradáveis -2 graus, com vento e umidade. Nada de especial na parada, mas valem algumas observações como o uso de caminhões gigantescos para transportar as criancinhas fantasiadas e as pequeninas F-350 enfeitadas (e SUVs). Pensando bem, um pouco de aquecimento global seria uma boa para o Papai Noel. Falando, nele nada de Papai Noel no evento, o que virou até notícia no jornal da cidade no dia (Guelph Mercury) seguinte em tom de indignação: Reclamam que a parada foi muito comercial, e não reflete o espírito de natal...

Diverido ver um cidadão de pá e vassoura na mão coletando o "servicinho" realizado pelos cavalos durante a parada. Todo mundo vem na parada, até 6 carteiros com seus trajes (que aqui são um pouco mais discretos que o uniforme de Vôlei usado no Brasil).







BTW - Um dos primeiros dias de neve em Guelph vistos da nossa janela.

Saturday, November 18, 2006

Things to come

Próximos posts (estou tentando me estruturar e retomar esse blog, mas antes de entrar no modo dia-a-dia, quero abordar):

Ponto de vista:
- Suburban way of life: Town Houses, SUV, Wal Mart
- Workplace: Summer x Winters; Do x Don'ts
- A relação com os vizinhos do Sul
- Alguns primeiros insignts sobre a identidade Canadense

Cidades:
- Ottawa
- Cambridge, Stratford & London
- Toronto

Experiências:
- ISPCON Santa Clara
- Andicom Cartagena
- Apêndicite & Guelph General Hospital

A saga do automóvel

Esse blog não está seguindo uma linha cronológica, mas enfim, segue o aprendizado que talvez seja útil para alguém em como conseguir comprar seu primeiro "poizé" na terra dos Esquimós.


Primeiro, a regra aqui é ligeiramente diferente:


- Primeiro se consegue uma carteira de motorista

- Depois se busca um carro e obtem-se os dados do mesmo

- Entra-se em contato com a seguradora (seguro aqui é obrigatório)

- Com o seguro acertado se adquire as "license plates" ou as placas

- Com as placas se compra o carro


Começamos com a carteira de motorista:

Para quem se lembra, eu perdi o direito de dirigir na terra brasilis em 2005 devido a uma única multa por excesso de velocidade em Santos. O limite era 40, e eu passei a 52, portanto acima de 20%, e como o código de trânsito tupiniquim segue o padrão governamental brasileiro de premiar ao cidadão que vos escreve, recebi a notificação de que deveria entregar minha carteira de motorista, ficar 3 meses sem dirigir, realizar um curso em um centro de capacitação para retomar o direito de dirigir. Não fiz....


Dirigi sem carteira de motorista no Brasil entre setembro e dezembro, mas felizmente minha cara de vô e meu carro de bisavô não chamaram a atenção de nenhum PM.

BTW - Na Europa quando alugava carro, utilizava o RG como carteira de motorista, visto que os Tchecos estaval literalmente cag... para o que estava escrito no meu documento.


Voltando ao Canadá, aprendi que o Canadá tem um "Grade System" para direção, que significa:

- No primeiro ano de carta você recebe um documento G1 simplesmente realizando um teste escrito que so permite voce dirigir acompanhado por alguém que possua uma carteira G;

- No segundo ano de carta você recebe um documento G2 após ser aprovado em um teste de direção que não inclui dirigir em Highways. Essa permite quase tudo, com algumas restrições para "jovens";

- No terceiro ano você recebe sua carteira G após um exame incluindo auto-estradas.


E como o Canadá está acostumado a receber imigrantes, eles facilitam a vida. Obviamente eles facilitam MUITO a vida de quem imigra de lugares considerados civilizados, como Europa Ocidental, EUA, Austrália, etc. Cidadãos desses países simplesmente trocam sua carteira por uma "G" em poucos minutos. Agora o underdog aqui vai pro fim da fila e a opção é traduzir sua carteira de motorista para Inglês em um local especializado e "pular o estágio G1", mas isso não o isenta das provas teórias e prática para cada estágio. Pagos os 40 dólares para traduzir o documento, lá vamos nós para o exame escrito. Compra o livrinho, leitura, leitura, leitura... odeio qualquer tipo de exame. Passei :)


Feito o exame teórico você recebe sua carteira temporária G1 no mesmo momento, enquanto o documento definitivo é processado e enviado pelo correio. Então, me registrei para o exame prático (1 mês de espera), tomei algumas aulas para acostumar com o que os instroures exigem, como por exemplo ser obrigado a olhar sobre o ombro após dar seta e antes de começar a virar o volante. Segundo o manual: O ponto cego pode matar... Sinceramente, acho que o ponto cego mata mesmo, se você estiver olhando sobre seu ombro e alguém bater em você, é fratura no pescoço.


Tomadas as aulas com um educado (85 dolares por duas aulas e o aluguel do carro para usar no exame) gentil senhor hindú (quase mandei o cidadão se f... umas três vezes), passei no exame prático e finalmente me tornei um motorista reconhecido pelas autoridades Ontarianas :)


PS: A foto está com aparência marginalesca, por duas razões: 1) Nasci na Vila Maria; 2) Nesse dia fui andando (uns 4km) até o Driver's test centre sob um sol de 32 graus.



Duas semanas antes do exame, eu já havia iniciado a busca pelo carro, e já estava com o bom e velho Corolla em vista, afinal de contas sou um cara bastante criativo. Depois de um certo suador para conseguir aprovar financiamento (meu status aqui ainda não é de imigrante definitivo e não tenho histórico bancário, etc), finalmente aprovaram meu crédito, porém com as taxas de juros mais altas do mercado: 6% ao ano.


Com a carteira em mãos, seguro feito (que paulada, 3600 dolares por ano, já que é meu primeiro ano de direção por aqui), a Toyota consegue as placas para você, e lá estava eu feliz e contente com meu Corolla Cinza com direito até a pára-barro (ou neve).


Ainda não entendo a necessidade dos cidadãos aqui em dirigir seus V6, V8, V12, SUV, Trucks, etc, mas isso é tópico para um post dedicado.


Sem carro aqui não existe vida. As cidades foram criadas de modo a praticamente obrigar o deslocamento diário para qualquer pequena atividade e o transporte público é muito caro. O ônibus em Guelph custa 2 dólares e passa a cada 30 minutos somente (apesar de pontual). Curioso morar em uma cidade que tem 18 linhas de ônibus, e os ônibus não são numerados como em SP com códigos do tamanho de um CPF :)


Dica: Para reduzir o seguro do automóvel em até 30% no primeiro ano, é necessário realizar um treinamento de 20 horas teórico e algumas aulas práticas em um centro autorizado (auto escola like). A brincadeira custa 600 dólares, mas esconomiza por volta de 1000 no primeiro ano em seguro e mais ou menos o mesmo tanto no segundo ano.


A Gasolina é barata por aqui, porém o preço varia diariamente, não seguindo diretamente a flutuação do preço do barril do petróleo. Desde que cheguei, a gasolina chegou ao mínimo de 0.65 dolares por litro (R$ 1.3) até 1.1 dólares (R$ 2.2), e agora está por volta de 0.85 dólares. Detalhes importantes:

-> Todos os postos oferecem três octanagens diferentes de combustível, e se você não possui um carro onde o manual explicitamente o indica, utilize a octanagem mais baixa, que além de ser a mais barata, não danificará seu motor

-> O preço varia bastante de posto para posto, especialmente quando se compara postos "We serve" no modelo frentista. Geralmente é mais barato sair do carro, colocar o cartãozinho de débito na máquina, e fazer o servicinho.

-> Não existe "gasolina batizada" - ou se existe os Canadenses ainda não sabem, porque quando eu perguntei isso para eles, demorou até mesmo para eles entenderem porque alguém "abençoaria" a danada.


Considerando que moro a 3 Km do trabalho, estou gastando MUITO menos com combustível do que em SP. Tudo bem que de fim-de-semana se dirige mais, pois como tudo é longe, e a cidade aqui não é lá das mais movimentadas, acabamos indo buscar algo em Toronto ou mesmo nas outras cidades da região como Waterloo, Cambridge, Kitchener, etc. BTW - Ainda estamos um pouco no modo turista.